sábado, 26 de maio de 2012

Entendendo a Religião Igualitária


Por: Robert T. Burnham



No meu artigo anterior eu fiz referência à “...natureza religiosa do Humanismo Secular...”, que nutre o fervor emocional dos discrepantes elementos sociais que pode-se classificar amplamento como “a Esquerda”. Na verdade, o termo foi usado incorretamente e eu devo começar este artigo me corrigindo e reconhecendo que, na verdade, eu me refiro ao pastiche de elementos ideológicos, morais, culturais e políticos incongruentes que devem ser definidos mais corretamente como Igualitarismo. Eu coloco – e não sou o primeiro a fazê-lo – que o Igualitarismo é a religião reinante desta era. Para compreender melhor [o igualitarismo] e os seus seguidores, é importante compreender que ele é, de fato, uma religião; para compreender o perigo inerente a ele; para possivelmente identificar qualquer fraqueza que possa ser explorada; e para predizer sua progressão através da vida orgânica e finita de tal credo. Eu devo começar estabelecendo o fato de que o Igualitarismo é, de fato, a religião estatal do Ocidente.

O que é o Igualitarismo? Não há propósito em tentar definí-lo como um leque de crenças fortes e definíveis. Ele é mais como um tumor na mente do corpo coletivo do homem ocidental, difuso nas extremidades e interligado por um número infinito de elementos periféricos – alguns que, ironicamente, são compartilhados com vários elementos do pensamento Direitista. No entanto, o centro do tumor é grosso com as noções da igualdade ilimitada dos homens, da rejeição pura e simples de qualquer possibilidade de qualquer diferença entre as populações humanas, convicções do mal inerente aos Brancos e especificamente ao homem branco, sentimentos da superioridade moral das raças de cor e das mulheres, apoio ao uso do poder estatal para corrigir a desigualdade onde quer que ela esteja – já que a presença [da desigualdade] apenas pode ser resultado do abuso contra grupos de determinada cor ou orientação sexual, por parte do homem branco e heterossexual, a convicção do bem inquestionável da “liberdade” e da “democracia”, a importância da tolerância e do relativismo cultural, e, finalmente, a firme crença no Progresso e na perfeição do mundo temporal. As incongruências lógicas entre a maioria dessas noções, óbvias até mesmo para os leitores casuais – e.g. o ideal de que todas as raças podem ser completamente iguais algum dia, ao mesmo tempo que [acreditam], que os Brancos podem ser mais maus que todos os outros – não impedem que o verdadeiro crente acredite nesta última afirmação. Na verdade, a fé nesses princípios, independentemente da sua impossibilidade de coexistir em uma filosofia coerente, é um dos primeiros indicadores da natureza religiosa deste sistema de crenças.

Estas crenças, de forma significativa – mais particularmente as noções da inquestionável igualdade entre os homens e a do pecado original (do homem branco neste caso) – são ironicamente herdadas da religião Cristã, que [por sua vez] não é pouco deprezada pelos seculares Igualitários modernos. Pode-se com justiça ser dito que o Igualitarismo secular moderno é agora extremamente fiel aos seus princípios teóricos, mas agora, paradoxalmente, desprovido da sua deidade no sentido sobrenatural, a figura masculina de Deus foi assassinada. O que o substituiu no contexto da religião em questão não está completamente claro para mim. Mas certamente pode-se identificar figuras análogas a Cristo, como o Reverendo Dr. Martin Luther King Jr e elementos do tabu religioso.

A respeito do ultimo, nota-se que o querido reverendo é o único homem a quem [foi dedicado] um Feriado Nacional nos Estados Unidos. E isso [acontece] num tempo em que a Páscoa (a morte a ressureição de Jesus Cristo) e o Natal (O seu nascimento) estão se tornando completamente carentes de um aceitável signifcado religioso público. No que diz respeito à Páscoa – ostensivamente o Feriado Cristão mais importante – esse processo está essencialmente completo. No que diz respeito ao Natal, o processo chegou a um nível tão grande de maturação que em várias cidades dos Estados Unidos, referências ao Tannenbaum como “Árvore de Natal” são consideradas desastrosas. Qualquer um que ainda duvide de que o Cristianismo tenha sido substituído como a religião estatal do Ocidente, deve-se perguntar apenas uma coisa: É mais aceitável na sociedade educada de hoje ser um adorador de Satã ou um racista? Marilyin Manson faz um trabalho divertido ao fingir ser o primeiro. Seria interessante ver quantos albums o permitiriam vender se ele fingisse ser o último.

Um excelente exemplo de um tabu religioso Igualitário é o uso da palavra “nigger”*. Hoje, até mesmo escrever a palavra inteira é altamente inaceitável na vida social educada. Usar a palavra em qualquer contexto, na forma escrita ou verbal, é quase que totalmente circunscrito à qualquer um, exceto [para] negros. Ao invés disso, as convenções sociais demandam que não-negros refiram-se a ela apenas obliquamente, escrevendo “a palavra-com-n”, “n****r”, etc. Até mesmo nesses casos, ela não pode ser usada como referência a nada, senão para usar apenas como sujeito de uma sentença (que deve universalmente condenar o so da “palavra-com-n”) A busca por um exemplo comparável na história humana, de uma palavra que não pudesse ser escrita ou falada, produz apenas dois exemplos que eu conheça: A primeira sendo a noção Hebraica de que a referência direta a Deus (preferencialmente “G-D” ou “Y-W-H”) era uma blasfêmia. A segunda sendo a sensibilidade burguesa a linguagem considerada vulgar, chula, e excessivamente sexual (impregnada pela posterior repressão moral Cristã). A primeira se mantem atualmente apenas entre os Judeus realmente religiosos. A última saiu completamente de moda, com a possível exceção da programação televisiva infantil. Ao invés disso, nós vemos uma completa substituição da lista da palavras “inaceitáveis”, que é uma perfeita ilustração do colapso e da perda de poder da burguesia branca protestante, que dominou a ‘Angloesfera’ até os anos 50 e a subsequente ascensão da nova ‘super-classe’ detentora das morais, que agora parece certa para criar a sua própria lista de termos vulgares, repleta das suas próprias justificações morais pseudo-religiosas. Termos como “nigger” eram amplamente usados na sociedade até muito recentemente e, majoritariamente, sem más intenções ou efeitos ruins, o que é irrelevante para os arquitetos das construções morais do igualitarismo moderno.**

Neste ponto, é útil tratar da natureza do Igualitarismo como a religião estatal do Ocidente. Aqui, pode-se estar atribuindo muito poder ao Estado – ou melhor, sugerindo de maneira simplista que o Estado é: o poder público supremo de uma entidade política, de fato, o poder principal no Ocidente. Seria mais correto argumentar que o Estado, nas suas várias “democracias” do Ocidente, é, em realidade, um corpo executivo, realizando os desejos dos verdadeiros poderes particulares e corporativos, que usam a conveniente máscara do consentimento público oferecido pelo sufrágio universal, para se esconderem. Então deixe-nos modificar a conclusão e sugerir que o Igualitarismo é a religião imposta pelo Estado e por outras entidades formadoras-de-opinião e controladoras-populacionais, sobre o povo do Ocidente; sendo assim outro instrumento para aprofundar a dissolução do Ocidente “Europeu”. Independentemente disso, para os verdadeiros crentes dessa religião e para o resto do populacho que vive sob a sua força moral, essa diferença é irrelevante.

Isto leva a outro assunto interessante, que ilustra a natureza religiosa do Igualitarismo: a atitude da nova classe sacerdotal e dos verdadeiros fiéis, em relação aos hereges. Para uma crença que a tolerância é a mais sublime virtude, há notavelmente pouca tolerância para aqueles pontos-de-vista que estão fora da sua estreita, mas caótica e imprevisível, extensão. Pode-se reconhecer simplesmente que essa intolerância é de fato uma manifestação de religiosidade – especificamente da religiosidade do monoteísmo semítico como corporificada na Judaismo, no Cristianismo e no Islamismo – e esta interpretação dualista do mundo, dividido entre preto e branco, bom e mal, e nada entre eles. No entanto, é útil também examinar alguns aspectos específicos da intolerância particular ao Igualitarismo, porque diferentemente das já mencionadas religiões Semíticas, quer foram religiões que marcaram e acompanharam a elevação de civilizações, o Igualitarismo é uma religião de declínio. Não pelos arquitetos da religião, mas pelos sacerdotes e verdadeiros fiéis. Sem dúvida, eles não acreditam que ela seja a antiga religião da teoría Spengleriana. Ao invés disso, eles acreditam que ela seja a última religião no fim da história, levando ao surgimento da utopia terrestre. A religião que mostra o caminho para a apefeiçoada condição temporal humana: a inexistência da pobreza, do sofrimento, e da tristeza para todo o povo da Terra.

O ódio estridente e incipiente que infunde a atitude dos sacerdotes e verdadeiros crentes do Igualistarismo em relação aos não-crentes, é uma manifestação da absoluta incompatibilidade entre estas crenças e o estado do mundo como ele é. A crença Igualitária é de fato o credo em ideais inconsistentes que não apenas conflitam entre si, mas conflitam com toda a evidência empírica diante dos nossos olhos e de todo o instinto humano. O Igualitarismo é uma crosta de gelo que se move, é frágil e trincada, cobrindo um rio turbulento, com fortes correntezas de frios fatos, que fluem debaixo dela. É apenas através da paixão e da convicção frenética que essa dissonância cognitiva pode ser dominada. Qualquer um que ameace este frágil equilibrio, deve ser odiado. É como o adolescente que reage excessivamente bravo e de maneira passional à mínima crítica de seu pai. O sistema de crenças do adolescente, ainda na infância, é facilmente ameaçado pela sabedoria do pai. A criança então prefere evitar toda a discussão, com medo de que suas idéias, ainda não devidamente formadas, sejam humilhadas no debate.

A reação irracional do Igualitário pode ser melhor entendida quando considera-se o que está em jogo. O Igualitário empenhou a totalidade da sua cultura e civilização em um jogo de azar. Todos os exemplos anteriores a história humana mostram muito claramente qual será o resultado do jogo. O Igualitário acredita que dessa vez será diferente. Ele sente que dessa vez será diferente. Será diferente desta vez porque ele acredita e sente, porque ele sabe que se todos trabalharem juntos para fazer com que seja direferente, pode acontecer. Mas há algumas pessoas por aí que duvidam. Há algumas pessoas por aí que pensam que não será diferente desta vez... proprietários de armas, adversários da imigração, sobrevivencialistas, etc. Há alguns lá fora, cuja falta de convicção e falta de otimismo são em si as sementes do fracasso. É por isso que eles devem ser odiados. É por isso que eles devem ser silenciados. É por isso – como o exemplo do paraíso Igualitário claramente mostra – que eles devem ser frequentemente mortos.

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*Os gurus do politicamente-correto, que começaram a difundir o ódio racial no país, introduziram a mesma situação com diversas palavras, como “preto”, ou até mesmo “negro” nos dias atuais.

** O que também pode ser observado neste país, onde o politicamente-correto virou uma verdadeira censura, que demoniza e proíbe termos que eram usados corriqueiramente, sem nenhuma carga de “ódio racial”.

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Nota do Tradutor: Mais uma vez, fica claro que os gurus do Igualitarismo e sua convicção na “diversidade” não representam nada além da morte da própria diversidade. É óbvio então que a única maneira de assegurar esta diversidade, é através da diferença e não da igualdade, é através da existência de diferentes povos e diferentes culturas, diferentes maneiras de se viver e encarar o mundo e não através do nivelamento pelo rolo compressor do materialismo capitalista, que vê em todo ser humano, em todo povo, apenas um consumidor em potencial.
 
Portanto, é necessário abandonar a visão moderna de que a perfeição humana consiste na possibilidade de “viver confortavelmente”. Durante a história, todos os povos demonstraram possuir visões diferentes do sentido da vida, o nivelamento Igualitário significa criar uma massa amorfa de robôs programados todos da mesma forma. 

Nada tem a ver com “racismo”, “ódio” ou “supremacia”, mas com o verdadeiro compromisso com existência da diversidade, livre das prisões culturais criadas por uma pequena elite, interessada apenas em si mesma.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

O que é o Distributismo?

por Thomas Storck



Grande parte da História do Ocidente, desde meados do século XIX, foi a história de dois sistemas econômicos adversários. Desde o Manifesto do Partido Comunista de 1848, que declarava que “anda um espectro pela Europa”, que de fato, anda um espectro não só sobre a Europa, mas sobre todo o Mundo. Não se trata só do espectro do comunismo mas de sistemas econômicos e sociais rivais, que por várias vezes lançaram a Humanidade em convulsões. Para muitos, estas rivalidades acabaram: o comunismo e o socialismo foram derrotados, logo, só resta ao capitalismo reinar triunfantemente sobre o mundo. No entanto, não é este o caso. Numa passagem negligenciada da encíclica Centesimus Annus, João Paulo II realça que as escolhas da humanidade não estão limitadas ao capitalismo e ao comunismo. “É inaceitável que a derrota do chamado “Socialismo Real” nos deixe o capitalismo como único modelo de organização econômica” (no. 35). Sendo assim, é obrigação dos Católicos olhar para o Distributismo, um sistema econômico defendido por algumas das melhores mentes da Igreja, na primeira parte do século XX, homens como G. K. Chesterton, Hilaire Belloc, Fr. Vincent McNabb e muitos outros. Vejamos em que consiste o distributismo e porque é considerado por muitos Católicos como mais conforme ao pensamento Católico do que o capitalismo. 

Em primeiro lugar, devemos fazer algumas definições dos principais termos que iremos utilizar, especialmente de capitalismo. Muito frequentemente esta palavra não é definida, e cada pessoa lhe dá um significado, bom ou mau, conforme as suas próprias crenças, nunca a definindo claramente. Então, o que é o capitalismo? O capitalismo não é a posse privada de propriedade, mesmo que se trate de propriedade produtiva, pois tal tipo de propriedade existe na maior parte do mundo desde tempos muito remotos, enquanto que o aparecimento do capitalismo é normalmente situado na Europa do final da Idade Média. Talvez a melhor maneira de proceder seja escolher a definição de uma autoridade, e depois analisaremos como é que se enquadra com os fatos históricos. Viraremos a nossa atenção para a encíclica Quadragesimo Anno (1931), do Papa Pio XI, em que o capitalismo é definido, ou caracterizado, como “o sistema econômico em que o trabalho e o capital necessários para a produção são fornecidos por pessoas diferentes” (no. 100). Por outras palavras, em sistema capitalista normalmente trabalha-se para outra pessoa. Alguém, o capitalista, paga a outros, os trabalhadores, para que trabalhem para si, e recebe os lucros do seu empreendimento, isto é, o que sobra depois de pagar o trabalho, as matérias-primas, amortizações, débitos, etc.

Há alguma coisa de errado com o capitalismo, com a separação da posse e do trabalho? Não há nada de errado em ter uma fábrica ou uma loja e pagar a outros para as trabalharem, desde que lhes pague um salário justo. No entanto, o sistema capitalista é perigoso e insensato, os seus frutos foram nocivos para a humanidade, e o sumo pontífice tem apelado a mudanças que iriam eliminar, ou pelo menos diminuir, o âmbito e o poder do capitalismo.

Deixem-me explicar as afirmações que acabei de fazer. E para o fazer tenho de fazer primeiro um breve desvio para discutir o propósito da atividade econômica. Por que é que Deus deu ao homem a necessidade e a possibilidade de criar e utilizar bens econômicos? A resposta é óbvia: necessitamos desses bens e serviços para levarmos uma vida humana.

A atividade econômica produz bens e serviços para servir toda a humanidade, e qualquer ordenamento econômico deve ser avaliado pela capacidade de preencher este objetivo.

Quando a posse e o trabalho estão separados, tem necessariamente de existir uma classe de homens, os capitalistas, que estão afastados do processo de produção. Os acionistas, por exemplo, não querem saber o que é que a empresa, da qual eles são formalmente os donos, faz ou produz, mas só lhes interessa saber se as ações estão a subir ou quais os dividendos que daí vão retirar. De fato, na bolsa, as ações mudam de mãos milhares de vezes por dia, ou seja, diferentes indivíduos ou entidades, como fundos de pensões, são em parte donos de uma empresa durante alguns minutos ou horas ou dias, e depois vendem-na tornando-se donos de outra entidade qualquer. Naturalmente esta classe de capitalistas passa a encarar o sistema econômico como um mecanismo pelo qual dinheiro, ações, títulos e outros equivalentes podem ser manipulados para enriquecimento pessoal, ao invés de servir a sociedade produzindo bens e serviços. Em resultado disto, têm-se feito fortunas através de takeovers hostis, fusões, encerramento de fábricas, etc., por outras palavras, aproveitam o direito de propriedade privada, não para se envolverem na actividade econômica produtiva, mas para se enriquecerem independentemente dos efeitos nos consumidores e trabalhadores.

Os Papas justificaram a posse privada de bens, mas se analisarmos os motivos e os argumentos por que o fizeram constataremos que a sua lógica está muito longe da capitalista. Examinemos, por exemplo, a famosa passagem da encíclica Rerum Novarum (1891), do Papa Leão XIII.

Os homens trabalham mais e com mais prontidão quando trabalham naquilo que é seu; mais, aprendem a amar o solo que trabalham com as suas mãos, e lhes provê, não apenas comida para comer, mas uma abundância para ele e para os que lhe são queridos. (no. 35)

Mas, o que acontece sob o capitalismo? Os homens aprendem a amar os certificados das ações que lhes renderão dinheiro, em resultado do trabalho de outra pessoa? A justificação que os Papas sempre fizeram da propriedade privada está ligada, pelo menos idealmente, à unidade entre a propriedade e o trabalho. Acrescenta Leão XIII: “A lei, portanto, deve favorecer a propriedade privada, e o seu objetivo deve ser tornar o maior número possível em proprietários” (Rerum Novarum, no. 35), e este ensinamento é repetido por Pio XI na Quadragesimo Anno (nos. 59-62, 65), por João XXIII em Mater et Magistra (nos. 85-89, 91-93, 111-115), e por João Paulo II em Laborem Exercens (no. 14). Se “o maior número possível… se tornar proprietário”, então a separação fatal entre trabalho e posse, será, se não removida, pelo menos o seu âmbito e influência será diminuída. Já não será a característica fundamental do nosso sistema econômico, mesmo que continue a existir.

E isto leva-nos directamente ao distributismo. Pois o distributismo não é mais do que um sistema econômico em que a propriedade privada está bem distribuída, no qual “o maior número possível” é, de fato, proprietário. A melhor exposição do distributismo pode, provavelmente, ser encontrada no livro de Hilaire Belloc, The Restoration of Property (1936). Atente-se no título, O Restabelecimento da Propriedade. Os distributistas argumentaram que no regime capitalista, a propriedade produtiva era prerrogativa só dos ricos e que isto lhes dava um poder e influência sobre a sociedade muito maior do que aquilo a que tinham direito. Embora formalmente todos tenham o direito à propriedade privada, na prática esta está restrita aos ricos.

Outra característica do distributismo, que decorre desta, é que numa economia distributista, haverá limites colocados sobre grande parte da propriedade. Antes que nos acusem de que isto parece socialismo, devemos recordar o comentário de Chesterton (em What's Wrong With the World, cap. 6), de que a instituição propriedade privada não significa o direito ilimitado à propriedade, tal como a instituição casamento não significa o direito a ter mulheres ilimitadas.

Na Idade Média as corporações profissionais, exemplo perfeito das instituições católicas, frequentemente limitavam a quantidade de propriedade que cada dono/trabalhador podia ter (por exemplo, limitando o número de empregados), precisamente no interesse de evitar que alguém expandisse demasiado o seu negócio levando outros à falência. Porque se a propriedade privada tem um objetivo, como Aristóteles e São Tomás diriam, ele é assegurar que cada homem e a sua família possam levar uma vida digna, servindo a sociedade. Uma vida digna, e não duas ou três. Se o meu negócio me permite sustentar-me a mim e à minha família, então que direito tenho de o expandir, privando outros do meio de se sustentarem e às suas famílias? Pois os medievais viam aqueles que se dedicavam à mesma atividade, não como rivais ou competidores, mas como irmãos empenhados no importante trabalho de providenciar ao público bens e serviços necessários. E como irmãos uniam-se nas corporações, tinham padres para rezarem pelos seus mortos, apoiavam as viúvas e órfãos, e de modo geral olhavam pelo bem-estar uns dos outros. Quem é que não é capaz de admitir que esta concepção de sistema econômico é mais conforme à fé Católica do que a ética selvagem do capitalismo?

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Virilidade e Homossexualidade

por Eduard Alcántara



Um dos muitos sintomas definitórios do muito doente que se encontra esta civilização que conhecemos com o termo de Ocidental é o do aumento vertiginoso da porcentagem de casos de homossexualidade que ela está, por momentos, padecendo.
 
De verdade e notoriamente sabido é que nem a divindade nem a natureza criaram o homem e a mulher para que se "entretessem" com os de seu mesmo sexo, mas para que buscassem seu complemento no sexo oposto e para fazer disso a fonte de procriação e, portanto, da existência própria da espécie.

O que é que está motivando com que tantos de nossos congêneres "saiam do caminho seguido" pelo qual "andam" as leis da natureza? Onde podemos encontrar o porque de tal proceder antinatural?

O caso de nosso país é bem paradigmático: nas últimas décadas está se passando de casos quase piada à porcentagens que começam a alarmar. Mas, repetimos a questão: onde podemos encontrar as causas de tamanho desvio contranatura?

Pois bem, a resposta haveria que buscá-la analisando quais são os valores que prevalecem nesta etapa crepuscular do já por si próprio corrosivo Mundo Moderno pelo qual o homem atual transita; ou, mais bem, vegeta. E se trata de alguns valores que em outras épocas, como na do judaico-cristianismo das origens, já receberam um forte impulso. Falamos do humanitarismo laxo e pusilânime e de uma ideia empequenecedora da humildade que termina na passividade, no abandono e na negligência e que estão incompativelmente opostos com o voluntarioso, com o valoroso, com o grande, com o épico, com o heroico, com o glorioso e, em resumo, com o VIRIL.

Em outras épocas não tão decadentes como a presente, o arquétipo a seguir era o herói semideus dos mitos, era o líder indômito, era o intrépido navegante, era o atrevido explorador, era o valente conquistador, era o heroico guerreiro, era o cavaleiro andante ou era o esforçado descobridor. A criança, o adolescente e o jovem faziam deles como seus modelos a imitar e reforçavam sua já inata condição viril. Como estes eram os exemplos a seguir, aqueles infantes e púberes que por natureza poderiam ter um pouco tênues os atributos da masculinidade, a iam paulatinamente acrescentando, reforçando e consolidando definitivamente.

Infelizmente, hoje em dia, nas sociedades democráticas-liberais e plutocráticas nas quais "vivemos" estes arquétipos foram substituídos pelos antitéticos do especulador enriquecido pelo "negócio" bursátil ou financeiro, do político sem escrúpulos nem princípios éticos que por meio de todo tipo de corruptelas chega a subir ao mais alto do poder, da estrela de rock ou do ator de cinema de gestos e palavras repugnantes e soezes, do personagem de desenhos animados desbocado e obsceno ou do cantor de pop de movimentos e vestimentas afeminados.

Outros modelos com os quais se depara cotidianamente, a criança e o adolescente, os constitui toda a plêiade de afeminados e/ou homossexuais de todo tipo e aspecto que estão em uma multidão de programas televisivas de "entretenimento", já seja como apresentadores, como pessoal habitual ou como convidados. Tal abundância provocará o efeito de que o "pequeno", e o não "tão pequeno", considere, paulatinamente, esta degeneração não como tal senão como uma opção tão natural como qualquer outra. E ao estabelecer esta perturbada percepção contribuirá também, de forma nada desdenhável, com uma "adequada" campanha "educativa", orquestrada e dirigida dos mais altos postos "educativos" ao longo das diferentes etapas do sistema de "ensino". 
 


Muitos jovens, acabarão, consequentemente, assimilando a ideia de que ter experiências sexualmente com pessoas do mesmo sexo não tem nada de anormal...

Seguindo a linha traçada pelos modelos a oferecer aos "pequenos" e aos imberbes nos resulta horripilante o só fato de pensar que casais de gays e lésbicas possam adotar crianças, pois se não queremos fazer do "pequeno" um ser perturbado, neurótico e esquizofrênico não podemos privar-lhe da experiência vital e crucial que significa a convivência com os dois diferentes papéis adultos que devem estar representados, como fica óbvio, por um homem e por uma mulher.

O igualitarismo é outro dos atributos dos quais se vangloriam nosso mundo democrático-burguẽs. Pois bem, esta gentinha não somente estende seus corrosivos tentáculos pelos âmbitos filosóficos, políticos ou sociais do Ocidente, mas que também distorce e desnaturaliza comportamentos, hábitos, práticas e costumes. Provoca que homens e mulheres trabalhem de maneira similar em casa e fora dela ou se vistam roupas apertadas muito parecidas, diluindo-se os papéis que, consubstancialmente, devriam ser próprios do homem, por um lado, e da mulher, por outro. É causadora, a peçonha igualitária, de que os papéis que por lei natural corresponderiam à cada sexo vão se diluindo em uma indeterminada que confundirá, e confunde, a criança e o adolescente e lhe deixará sem referências a seguir para determinar, reforçar e consolidar as qualidades que lhe são inatas de acordo com o sexo ao qual pertence. É muito verdade a expressão de que "o hábito faz o monge", e é que é digno de observar como algumas das atuais modas no vestir possam chegar a afetar as qualidades viris no homem e as femininas na mulher. Ou se não observe-se como aquela criança ativa e audaz chegou à adolescência e inundado de imagens e anúncios publicitários começou a vestir, por exemplo, à moda "funky", com camisetas de garota bem ajustadas e com calças ridículas estilo boca-de-sino. As vestimentas do garoto não se diferenciavam em nada das da jovenzinha "funky". Pouco a pouco, os gestos, as maneiras, os movimentos e até o caminhar do jovem começaram a nos parecer mais e mais aos da garotinha.

O que foi acontecendo posteriormente ao nosso garoto não é difícil de imaginar. Deixou, cada vez mais, de identificar-se com o papel de homem que, por nascimento, lhe correspondia e, seguramente, chegou um momento no qual lhe resultou indiferente relacionar-se afetiva, sentimental e/ou sexualmente com congêneres do sexo oposto ou com os do seu próprio. E daqui para sentir-se cada vez mais feminino e optar pelo personalismo homossexual há somente um passo. Passo que talvez seja a experiência sexual com outros homens, pois não devemos de esquece que o mundo hedonista no qual nos encontramos inseridos promove a busca do prazer físico e da satisfação da líbido à toda custa, como fim em si próprio e por qualquer modo, por muito degradada, aberrante, enfermiça e antinatural que esta possa ser.

E contra esta ideia hedonista, positivista e materialista da vida, outras etapas não deletérias da história da humanidade apresentavam arquétipos como o do governante austero à serviço de sua comunidade ou como o do asceta que enfocava sua vida à realização de fins Superiores, à consecução, em seu interior, do Conhecimento Transcendente e/ou à Iluminação Metafísica.

Já se encarregou Freud, através da psicanálise, em ajudar a pseudo-científico-filosófica pelo Mundo Moderno ao elevar aos altares todo o ameaçador submundo que habita no subconsciente humano e ao convertê-lo no motor oculto de nossa vida consciente. Mostrando-nos os impulsos libidinosos como a base de nosso agir em estado de vigília. Justificando a homossexualidade como o surgimento do que, segundo o autor judeu, foi uma etapa a mais pela qual a pessoa passou quando ainda era uma criança: etapa na qual, no caso do homem, lhe levava a desejar sexualmente seu pai na qual no caso da garota a fazia enfocar a satisfação de seu líbido para com sua mãe. E dando-lhe pois, Freud, finalmente, caráter de normalidade ao que não é mais que um desvio degenerativo do que é a condição natural não somente do gênero humano mas de qualquer ser vivo. E se falamos de desvio falamos de deficiência; de deficiência adquirida. Que absurdas resultam as celebrações, ano após ano, do "dia do orgulho gay"! Orgulho de que? De alardear de uma deficiência? Com que objetivo se realizam essas demonstrações públicas? Com fins propagandísticos para que aumente o número de deficientes?, que fique bem claro que estamos falando de um desvio adquirido, não genético, pois os casos nos quais a homossexualidade pode constituir uma tendência inata são porcentualmente insignificantes, ridículos e são, e eram, sanáveis, como já mencionamos parágrafos acima, em uma sociedade não doente na qual os exemplos a seguir sejam, e foram, outros que se encontram em uma posição radicalmente oposta dos atuais.

Nos pretendem fazer acreditar em coisas impossíveis de acreditar transmitindo-nos a ideia de que os homossexuais são gente normal? Se pretende que nós acreditemos depois de observar, por exemplo, o "normais" que são suas manifestações? Depois de observar o lamentável, grotesco, carnavalesco, estúpido e vergonhoso exibicionismo de que, em ditos eventos públicos, se vangloriam uma porcentagem esmagadora deles? Depois de que saibamos que se dedicam à prostituição em uma muito maior proporção que os heterossexuais de ambos os sexos? De que vejamos como tantos deles se identificam com o absurdo: desfrutam com o transformismo, se disfarçam de "drac queens",... De que não ignoremos quantos deles optam pelo travestismo tão associado, por outro lado, com o mundo da prostituição? De que observemos como muitos deles decidem destruir e inverter a obra e as leis da natureza e acabam sendo transsexuais? De que não ignoremos que os casos de pederastia são muito mais frequentes entre homossexuais que entre heterossexuais? De que saibamos da promiscuidade sem limites que fazem? De que não desconheçamos que o número de suicídios e crimes, frequentemente por motivos passionais cometidos por eles é, porcentualmente, significativamente mais elevado que os perpetrados pelo resto da população? Muito normal tudo!... Verdade?

sexta-feira, 18 de maio de 2012

O problema da natalidade


 por Julius Evola

Entre os fatores da desordem e da crise dos tempos modernos, além daqueles causados por processo de subversão que não podem ser considerados como espontâneos, há outros inquestionáveis que têm um caráter natural e que causam estragos somente porque não é montada uma resistência contra eles. Um fator particularmente importante desse tipo é o crescimento da população mundial. Não há dúvida de que se fosse possível reduzir a densidade populacional para a de três séculos atrás, enquanto ainda retendo o grau de civilização material, os problemas sociais e econômicos que afligem a população mundial nos dias de hoje seriam basicamente irrelevantes. No caso, eliminaríamos, por grande parte, situações que forças revolucionárias exploram para sua vantagem; poderíamos liderar em direção a um abrandamento e a um descongestionamento que limitaria todo frenesi ativista (os primeiros dentre eles, aqueles que pertencem a um poder global de economia) e fortemente propiciar um retorno à normalidade, graças a um espaço novo, mais amplo, e mais livre.

Entretanto, é bem sabido que estamos procedendo na direção oposta em passo acelerado. O alarme que foi lançado no passado, com o choro “as raças estão morrendo”, se tornou falso. Nem mesmo as destruições de uma guerra “total”, que não foram poupadas nem cidades indefesas, nem mulheres e crianças, foram capazes de parar o crescimento mundial, mesmo nos países da Europa Central (com exceção da Itália), em comparação às condições de pré-guerra. É como estar em frente a uma avalanche que, se continuamente ganha chão, cresce irresistivelmente, exacerbando todo tipo de crise e desordem; não podemos ajudar, mas rejeitar a idéia de que isso não é uma questão fatal, e de que os humanos facilmente poderiam controlar. O que temos aqui é um caso de desproporção que existe no povo moderno Ocidental, entre o controle do domínio externo e o do domínio interno. Forças elementares da natureza são controladas pela tecnologia, então poderiam servir desejos humanos, ou então para prevenir de ser prejudicial; e ainda nada é feito em relação à explosão populacional, porque então o homem teria que agir sobre si mesmo, sobre seus preconceitos e instintos. O homem moderno está cada vez mais perdendo sua vocação, e o único domínio que ele pode ostentar é o controle efêmero que exerce na questão.

É bem sabido também que o perigo da superpopulação foi advertido por Malthus, no último século. Entretanto, seu ponto inicial foi totalmente materialista, e só relativamente consistente. Em qualquer caso, não é o único que eu considero como decisivo para o problema final ou para a solução do problema. O problema real não é, como Malthus acreditava, que os meios de subsistência e fornecimento de alimento possam se tornar insuficientes para uma população mundial totalmente aumentada. Considerando todas as medidas que poderiam ser tomadas antes que chegássemos a tal situação, esse perigo ocorreria somente em um diagrama futuro. Antes de chegar a esse ponto, muitas coisas indesejáveis poderiam ocorrer que não fossem consideradas pelos zelosos apóstolos do contínuo e ininterrupto progresso. Ainda considerando somente o plano material, a crise causada por superpopulação na nossa era e no futuro aparece em termos diferentes. Superpopulação intensifica o problema de como empregar força de trabalho; isso também, inviavelmente, intensifica o processo de produção, que por sua vez, devido ao seu determinismo, fortifica a natureza demoníaca da economia. O resultado é uma crescente escravização do indivíduo e a redução do espaço livre e de qualquer movimento autônomo nas cidades modernas, enxameando como todavia na putrefação com seres sem rostos de “civilização em massa”. Esse é o aspecto mais importante do problema.

Sombart corretamente viu que a diminuição da população seria um dos poucos meios de dar um golpe mortal ao alto capitalismo (que ele comparou a um gigante selvagem e destrutivo) sem proceder com modificações desastrosas em toda instituição socioeconômica. Sombart acreditava que era para isso que rumávamos. Entretanto, o decorrente, depois de uma pequena baixa, continuou a fluir na direção oposta; assim, as perspectivas acima mencionadas são as que o futuro próximo tem reservado para nós, a não ser que decidimos reagir.

Para uma adequada reação, precisamos, acima de tudo, limpar o caminho dos erros e preconceitos que ainda promove uma atitude passiva em relação à praga sobre a população.

No domínio político, precisamos tomar um suporte contra o mito expresso na fórmula: “Há poder em números”. Tentar estabelecer uma política imperialista e uma campanha demográfica foi um dos sérios erros da ideologia fascista que deve ser denunciada sem hesitação. O poder do número é o poder das meras massas brutas; esse poder, é, em si mesmo, muito relativo, porque até mesmo rebanhos precisam ser guiados. Todo império verdadeiro nasceu de uma raça de conquistadores que conquistaram terras e povos, não porque eles sofriam de superpopulação ou deixavam de ter “um local sob o sol”, mas na base de uma chamada e de uma qualificação maior, que os permitiam reinar como minoria em terras estrangeiras. Foi um impulso resultado de uma superpopulação complexa e intolerável que liderou os romanos, aquemênidas, francos, espanhóis, tropas pré-islâmicas, e os britânicos de outrora a conquistar? Além disso, quando consideramos a fase na qual o domínio material é integrado por fatores espirituais, uma ênfase ainda maior deveria ser dada a fatores que não podem ser reduzidos à meros números e ao domínio dos números.

Há mais para falar em relação a problemas interiores de um povo. Onde quer que o crescimento demográfico indiscriminado é promovido ou permitido sem ser desafiado, podemos esperar os efeitos prejudiciais da lei da seleção natural. O fato é que as raças inferiores e o estrato social inferior são os mais prolíficos. Dessa forma, podemos dizer que enquanto o número dos elementos mais diferenciados superiores cresce em proporção aritmética, o número dos elementos inferiores cresce em proporção geométrica, resulta uma involução fatal da raça humana. O colapso e a desintegração dos grandes organismos imperiais ocorreu mais frequentemente por tal razão: se fosse devido ao curso baixo, por causa de uma expansão monstruosa da base constituída pelos promíscuos ou pelo elemento “proletário”.  Deveríamos relembrar aqui que o termo proletário vem das proles latinas e sugere a idéia de fertilidade animalesca. Como Mereshkovski corretamente notou, esse termo foi aplicado àqueles que o único diferencial criativo que possuíam era a geração de crianças – foram homens em corpo, mas eunucos em espírito. Na sua revelação lógica, essa tendência leva à tal sociedade “ideal” em que não haveria mais classes, nem homem nem mulher, mas camaradas, ou unidades assexuadas pertencendo a um mesmo formigueiro.

Politicamente falando, a explosão demográfica é condenada a criar uma congestão que por sua vez produz soluções internacionais críticas, resultando em guerras que não podem ser justificadas por qualquer idéia maior: aqui a mera quantidade e condição de uma “nação proletária” não corresponde a um direito ou a uma idéia. Em relação a soluções militares, deveríamos também manter em mente que a importância do fator numérico tem se tornado relativo devido ao aumento da natureza técnica das recentes guerras. À parte d aguerra, a população sobrecarregada pode somente liderar alguns países a pedir espaço entre outros povos como uma exportação emigratória de “mão de obra barata” que são eventualmente destinados a perder sua identidade e a se tornar disperso entre outros povos. Como a congestão continua, os efeitos fatais serão crises internas e tensões sociais representando o maná do céu para os líderes da subversão marxista.

Novamente, se pode ver consequências negativas vindas de uma população indiscriminada aumentando (como eu disse, esse aumento resulta em uma superioridade numérica do inferior, estrato “proletário”) quando um regime democrático está no poder: em uma democracia são os números que asseguram o poder, através do “sufrágio universal”, destruindo os limites pelos quais, em outros regimes, o crescimento numérico da “base” não concernia a minoria ou a elite que foi o controle das posições-chaves no Estado.

Depois dessas considerações de uma ordem política, eu farei alguns comentários sobre os prejuízos de uma natureza religiosa e burguesa que evita o controle da natalidade.

A religião Católica abraçou o princípio bíblico concernindo à multiplicação da espécie humana. Este é um dos casos no qual a Igreja concedeu um valor ético em coisas que tem somente um valor prático, relativo, que é bastante desatualizado nos dias de hoje. O preceito judeu foi justificado somente considerando as condições patriarcais das tribos antigas judaicas, compostas por agricultores e pastores, nas quais (como ainda acontece hoje nessas poucas áreas rurais onde situações análogas são encontradas) uma descendência abundante era considerado desejável e providente por causa da necessidade de corpos hábeis. Tudo isso não tem nada que ver com religião ou ética. De um ponto de vista específico – a do ascetismo – é possível condenar os prazeres do sexo em geral, como foi no caso da tradição asceta original cristã. Mas na vida habitual, e em geral, onde quer que haja vocações não ascéticas é extremamente irracional legitimar e santificar união sexual e casamento somente quando estão hábeis para procriar, declarando serem pecaminosos em toda outra instância. Para proposições práticas, o que significa que a perspectiva religiosa aqui aprova e ainda encoraja a expressão de um instinto que é o mais primitivo e animalesco? Concepção essencialmente implica um estado de completo abandono do homem à paixão sexual, assim como um dos meios mais naturais para evitar concepção implica uma certa renúncia, predominância de poder, e auto-controle, frente-a-frente, o impulso mais primitivo do instinto e desejo. Em outro caso fora de sexo, a Igreja presa e formalmente aprova a última disposição – que é a predominância do intelecto e poder sobre os impulsos dos sensos. Mas quando vem a união sexual, porque estupidamente mantém o preceito desatualizado da lei judaica, ou tampouco  de hipocrisia ou de um ódio teológico do sexo per si, a moralidade católica aprovou a atitude oposta: a atitude daqueles que passivamente estão no “gênio da espécie” do Schopenhauer, através de acoplamentos que são realmente more ferarum [depois do comportamento de bestas].

Deixem-me repetir: eu poderia entender o preceito do celibato e castidade e a total condenação dos prazeres do sexo e do uso da mulher do ponto de vista de uma moralidade asceta com objetivos sobrenaturais. Entretanto, é incompreensível aprovar o uso da mulher e da sexualidade somente para a procriação, como corresponde a degradar toda relação entre o sexo a um nível animal. Ainda um libertino, que eleva o prazer à arte (sem mencionar um certo “Dionisismo” que na antiguidade teve uma sanção religiosa), é indubitavelmente superior àqueles que seguem o pensamento católico ao pé da letra.

Entretanto, parece que a Igreja tem recentemente sendo tentada a fazer algumas concessões. Enquanto a preocupação do Vaticano de manter com o tempo teve várias consequências depreciáveis, podemos ainda reconhecer como algo positivo o reconhecimento explícito do Conselho de que não a procriação, mas o “amor” como um bem, poderia ser o fundamento legítimo do casamento. Além disso, tendências revisionistas ganharam momentum ainda em relação ao “controle da natalidade”: atualmente, a questão para a Igreja não é o controle de natalidade, mas se os métodos empregados são ou não legítimos. Entretanto, necessitamos somente olhar às reações do filósofo católico Gabriel Marcel, quem escreveu com indignação sobre as medidas para limitar o nascimento como “blasfêmias contra a Vida”, com fins de realizar a persistência tenaz dos prejuízos entre católicos ainda fora da doutrina oficial.

Além dos prejuízos religiosos, a posição anti-controle-de-natalidade deriva de uma mentalidade na qual uma grande função é posta por slogans e sentimentos convencionais, marcadas por uma grande gradação de hipocrisia e mentiras. Por instância, há retóricas burguesas sem sentido sobre crianças, o culto da criança, e o desejo em ter crianças. Na grande maioria dos casos, não é verdadeiro que crianças são desejáveis e são a principal razão do porque um homem e uma mulher se casam. Crianças simplesmente vêm. Uma votação tomada na Europa Central rendeu estes resultados: dos entrevistados, 45 por cento nunca realmente tiveram pensado em ter crianças ou não quando se tornaram casados; 30 por cento disseram que não queriam; somente 25 por cento expressamente queriam ter algumas.

Tanto quanto um movimento revolucionário-conservador se preocupa, há uma necessidade para homens que são livres desses pensamentos burgueses. Esses homens, adotando uma atitude de comprometimento militante e absoluto, deveriam estar prontos para qualquer coisa e quase sentir que criar uma família é uma “traição”; esses homens deveriam viver sine impedimentis, sem qualquer laços ou limites para suas liberdades. No passado houveram Ordens seculares nas quais o celibato era regra. Deveríamos também apreciar a validade do dictum de Nietzsche: “O homem deveria ser treinado para a guerra e a mulher para a recreação (ou para o descanso, Erholung) do guerreiro: tudo além disso é loucura!”. Em qualquer evento, o ideal da “sociedade guerreira” obviamente não pode ser o ideal pequeno-burguês e paroquial do “casa e crianças”; pelo contrário, acredito que no domínio pessoal o direito a um amplo grau de liberdade sexual para esses homens deveria ser reconhecido, contra o moralismo, conformismo social, e “heroísmo de chinelos”.

Deveríamos considerar mais uma coisa. Sem sucessores, essa elite começaria e terminaria sem deixar nada para a posteridade: pareceria somente natural que deveria ter cuidado ao criar prole, e através da própria propagação trabalhar tanto quanto seja possível contra o ameaçador crescimento do estrato social inferior. Tenho muitas reservas quanto a essa idéia. Antes de tudo, o exemplo daquelas ordens religiosas de séculos antigos que abraçaram o celibato sugerem que a continuidade pode ser assegurada com outras procriações que não sejam físicas. Além daqueles que deveriam ser disponíveis como tropas de choque, seria certamente auspicioso formar um segundo grupo que asseguraria a continuidade hereditária de uma escolhida e protegida elite, como a contrapartida da transmissão de uma tradição e cosmovisão político-espiritual: a nobreza antiga foi um exemplo disso. Mas buscar esse objetivo hoje seria utópico, e corresponderia a fechar os olhos para a realidade, falhando em considerar as condições gerais sociais e existenciais que são agora prevalentes. Nesse contexto, seria possível começar a aventura da paternidade, onde algo do significado e dignidade da paternidade pode subsistir na família moderna, tornando certo primeiro, entretanto, através de um exame profundo da consciência de alguém, que o objetivo maior não é um pretexto para desencadear a incontinência procriativa de alguém. É óbvio que, em qualquer evento, em uma família que não é inspirada pelo modelo tradicional “romano”, há pouca esperança de exercitar uma influência formativa nos seus descendentes; essa necessária contrapartida, que é quase inexistente, é muito difícil para realizar no Oeste.

Mas ainda na melhor hipótese, não podemos racionalmente esperar competir na fertilidade com o estrato mais baixo para contê-los: não importa o quanto tentamos, e sempre assumindo que a descendência herda mais que o sangue, nunca será possível contrabalançar o crescimento geográfico dos estratos inferiores. Outros meios deveriam também ser empregados: a eliminação do sistema democrático e igualitário sendo o primeiro, necessária pressuposição. Outros meios seriam a adoção de uma atitude adequada em relação ao chamado Terceiro Mundo.

As tradições antigas indo-européias consideraram a procriação de um filho como um “dever” (em geral, a norma não se aplicava àqueles que seguiam uma chamada asceta): porque disso, o primogênito era chamado de “filho do dever”, em distinção de qualquer criança subsequente. Isso vai sem dizer que um preceito análogo produziria automaticamente a direção descendente desejável na curva demográfica, enquanto salvaguarda o princípio da linhagem patrilinear e que nisto pode ainda ser resgatado.

Tendo discutido o grupo que deveria permanecer livre de todos títulos, a o segundo grupo que tenta, procriando, formar uma posteridade, e assim para suprir a base biológica para um legado espiritual e a estrutura de uma Ordem, deveríamos agora considerar algo mais. Ao falar sobre a grande maioria de nossos contemporâneos, é absolutamente irresponsável, considerando as consequências coletivas que resultam disso, gerar outros seres que repetirão a mesma inconsistência, o mesmo vazio de uma vida sem qualquer significado real; em outras palavras, é absolutamente irresponsável alimentar a avalanche ameaçadora do mundo amorfo da quantidade somente porque se é passivo em relação à parte natural dele mesmo e em relação ao estímulo sexual mais primitivo, ou porque se é escravizado a prejuízos. A verdade é, portanto, o oposto do que é alegado por aqueles que acusam pessoas que recusam procriação de egoísmo e de individualismo: é o primeiro a pensar apenas neles mesmos, sem pensar sobre a contribuição que eles inconscientemente fazem para a desordem geral; portanto, fundamentalmente essas pessoas não mais pensam neles mesmos, a exceção de uma maneira obtusa e imediata. Ao considerar os efeitos da praga da superpopulação, pode-se facilmente dizer “eles tiveram o que desejaram”, exceto quando as consequências também afetam aqueles que não seguem o rebanho. Assim, seria desejável para o Estado tomar medidas rigorosas, sistemáticas, profiláticas, repressivas, e encorajadoras, a seu respeito, apesar do fato que em outra situação tais intervenções em domínio privado são intrusivas e opressivas (como foi a situação com a absurda “campanha para o crescimento populacional” durante a era fascista). De minha parte, penso que nunca se pode tencionar intensamente a necessidade de uma política anti-demográfica, especialmente porque, devido a uma inibição interior encontrada entre meios qualificados, não é possível ver as contribuições numerosas e pesadas, seja direto ou indireto, que o crescimento na população tem feito e ainda faz à crise de morte do mundo moderno.

Dessa forma, em um novo movimento, a orientação anti-demográfica necessariamente fará parte de uma luta global contra o mundo da quantidade e contra os já mencionados processos de contra-seleção. No contexto de um Estado real, em épocas modernas, a tarefa será dupla: conter a cancerígena proliferação de uma massa promíscua sem rosto e realizar as pressuposições pela nucleação e consolidação de um stratum no qual algumas qualificações são estabilizadas assim como tornar alguns indivíduos dignos e capazes de reter poder. Em tudo isto, a necessidade por um equilíbrio ou por um limite é suprema, não apenas na luta contra o poder global da economia, desde que essas duas coisas, como eu tenho sugerido, são complementares.