14/06/2026

Richard Spence - Estrela Vermelha sobre Shambala: A Inteligência Soviética, Britânica e Estadunidense e a Busca pela Civilização Perdida da Ásia Central

 por Richard Spence

(2008)


Em seu caminho através dos desertos da Mongólia em 1921, o escritor e refugiado polaco Ferdinand Ossendowski testemunhou um comportamento estranho por parte de seus guias mongóis. Parando seus camelos no meio do nada, eles começaram a rezar com grande seriedade enquanto um estranho silêncio caía sobre os animais e tudo ao redor. Os mongóis mais tarde explicaram que este ritual tinha lugar sempre que “o Rei do Mundo em seu palácio subterrâneo reza e averigua o destino de toda a gente sobre a Terra” [1].

De diversos lamas Ossendowski aprendeu que este Rei do Mundo era governante de um reino misterioso mas supostamente muito real: Agharti. Em Agharti, disseram-lhe, “os doutos panditas (mestres de artes e ciências budistas) escrevem em tabuletas de pedra toda a ciência do nosso planeta e dos outros mundos” [2]. Qualquer um que tivesse acesso ao reino subterrâneo teria acesso a um conhecimento incrível, e poder.

11/06/2026

Bertrand Garandeau - A Geografia Sagrada de Dugin: A Rússia no Coração da Tradição

 por Bertrand Garandeau

(2016)


Normalmente no centro de atenção devido à sua suposta influência no Kremlin, Alexander Dugin retomou e desenvolveu o conceito geopolítico da Eurásia. Através desta noção, ele preconiza o recurso à geografia sagrada e à tradição na geopolítica contemporânea.

Para Dugin, a geopolítica não é uma ciência como qualquer outra. Se a alquimia e a magia desapareceram em favor das suas formas seculares modernas, que são a química e a física, a geografia sagrada dos antigos mantém-se viva através da geopolítica. Recordando a teoria do Heartland do geopolítico britânico Mackinder, Dugin faz da Eurásia a peça-chave da geografia sagrada. Com a Rússia no seu centro, a Eurásia encarnaria o último bastião da tradição no hemisfério norte, o único capaz de lutar eficazmente contra a modernidade.

06/06/2026

Ivan Ilyin - O Espírito Cavalheiresco

 por Ivan Ilyin

(1933)


"Cria em mim um coração puro, ó Deus, e renova em mim um espírito reto". Salmo 51:10


Através de todas as grandes discórdias dos nossos dias, no meio da catástrofe, da tragédia e da perda, nos conflitos e tentações, devemos lembrar de uma coisa e viver por ela: a manutenção e a propagação de um espírito de serviço cavalheiresco. Primeiro e acima de tudo dentro de nós mesmos, e depois, dentro dos nossos filhos, dos nossos amigos e dos afins. Devemos proteger este espírito como algo sagrado; devemos fortificá-lo naqueles em quem confiamos, nos que confiam em nós, e naqueles que buscam a nossa direção. Isto é o que devemos defender nos nossos líderes e pastores, insistindo e até exigindo. Este espírito é como o ar e o oxigénio da salvação nacional da Rússia, e onde ele acaba, implanta-se imediatamente uma atmosfera de podridão e decadência, aberta ou oculta no Bolchevismo.

03/06/2026

Werner Brauninger - Ernst Jünger frente ao Nacional-Socialismo

por Werner Brauninger

(1994)



“Anelamos do fundo do nosso coração a vitória do nacional-socialismo, conhecemos o melhor das suas forças, o entusiasmo que o leva; conhecemos o sublime dos sacrifícios que lhe são consentidos fora de toda a dúvida. Mas sabemos também que não poderá abrir-se um caminho combatendo… mais do que se renunciar a todo aporte residual saído de um passado terminado”[1]. Estas frases foram escritas por Ernst Jünger durante o verão de 1930. Por que, pergunta-se hoje, Jünger não encontrou o caminho aderindo ao movimento desse homem, aparentemente capaz de transportar e de impor as ideias de Jünger e do “novo nacionalismo” na realidade do poder e da política? Minha intenção, no que segue, não é uma análise meticulosa, profunda, sistemática da história das ideias. Aponta apenas a mostrar como uma personalidade individual e carismática do temperamento de Ernst Jünger, que celebrou seus 100 anos em março passado, pôde manter sua originalidade na era da Kampfzeit da NSDAP.

30/05/2026

Aleksandr Dugin - Sobre Stálin

 por Aleksandr Dugin

(2025)


A sua enorme popularidade na Rússia contemporânea é um fenômeno complexo. A avaliação positiva de Stálin pela maioria do povo está associada a uma série de fatores:


  1. Os sucessos óbvios da URSS sob sua liderança – o salto econômico, a igualdade material, a Vitória na guerra, as aquisições territoriais, a crueldade em relação às elites governantes (que o povo tradicionalmente odeia).
  2. A comparação com outros líderes da URSS – o caos e a violência da Revolução e da Guerra Civil, onde a romântica heroica desvaneceu-se consideravelmente, tornando Lênin menos unívoco, a insensatez e a estupidez de Khrushchov, a estagnação e a gradual degradação senil de Brezhnev. Em contraste com eles, Stálin sai-se magnificamente. Um verdadeiro Imperador.
  3. O fato de que os que mais atacavam Stálin eram liberais da perestroika e dos anos 90, completamente repulsivos para o povo, insignificantes, russófobos e venais. Em comparação com esses insetos vis, que apenas destruíram tudo, traíram, venderam e ridicularizaram, Stálin parecia divino. A elevação de Stálin foi facilitada pela baixeza de seus críticos (vide a extinta e proibida na Rússia, por extremista e terrorista, "Eco de Moscou").

24/05/2026

Julius Evola - O que quer o "falangismo" espanhol?

 por Julius Evola

(1937)


Embora as fases da guerra civil espanhola sejam seguidas por todos com vivo interesse, as ideias que precisamente animam a insurreição das forças nacionais espanholas contra o comunismo não são tão conhecidas: devido a que muitos pensam que a fase ideológica positiva nas revoluções é sempre levada a cabo no período sucessivo.

Nós não somos partidários desta opinião. Acreditamos que o melhor soldado é aquele que combate com um conhecimento preciso de sua causa e que as ideias, já sejam presentes ou confusamente intuídas, mais do que formuladas com clareza, são a realidade primeira em todo processo histórico realmente importante. Agradecemos pois a Alberto Luchini por nos ter introduzido no programa doutrinário de uma das principais correntes nacionalistas espanholas. O da chamada “Falange Española”, vivificando e exaltando suas propostas com os recursos de um estilo de tradução neorromântico, vigoroso, preciso e com felizes improvisações (I Falangisti Spagnoli, Florença, 1936).

O programa é uma profissão geral de Fé política, cuja formulação parece dever-se a José Antonio Primo de Rivera ou ao escritor Giménez Caballero. Por sua riqueza de conteúdo espiritual, a qual nos surpreendeu tanto que cremos muito oportuno assinalá-lo ao público italiano dando, em definitiva, seu significado.

14/05/2026

José Luis Ontiveros - A Cultura e o Guerrilheiro

 por José Luis Ontiveros

(2011)


A cultura é um campo de batalha e sua conquista é uma necessidade que precede a tomada do poder. Tal afirmação baseia-se na revisão feita por Antonio Gramsci do materialismo dialético, quando ele passou, sem que seus críticos tenham percebido, de sua fase marxista-leninista para o atualismo do filósofo fascista Giovanni Gentile, autor da vertente hegeliana de direita do Estado Totalitário, alma da alma como o define.

Esta secreta conversão ideológica ocorre paradoxalmente quando Gramsci está recluso na Ilha de Útica e escreve seus "Cadernos do Cárcere", onde transpõe para o marxismo clássico os valores do fascismo revolucionário que haviam alcançado na Itália um desenvolvimento político próprio, como Lênin havia predito, ao afirmar que Mussolini era o único revolucionário capaz de tomar o poder na Itália.

10/05/2026

Geydar Dzhemal - O Islã Ário

 por Geydar Dzhemal

(1994)


Bismillah al-Rahman al-Rahim...

Quando pronunciamos esta saudação dirigida ao profeta Maomé (que a paz e as bênçãos de Alá estejam sobre ele) e a seus companheiros, nós, seguidores da corrente pura do Islã, chamada «mazhabu muhammadi», saudamos os companheiros de Maomé (que a paz esteja com ele) com as palavras: «hurru ayayinu muntajabin», o que significa defini-los como eleitos, nobres, honoráveis e fiéis.

Devo dizer imediatamente que esta definição dos sahabas do Profeta se refere apenas a uma parte determinada dos companheiros do Profeta. Na grande maioria das correntes do Islã, aceita-se a forma «as-sahaba ajma'in», ou seja, a glorificação refere-se a todos os sahabas sem distinção. Esta diferença está relacionada a duas abordagens fundamentais sobre o papel da instituição profética na história da tradição, sobre o papel dos companheiros que rodeiam os profetas e que depois formam aquele corpo, aquela corporação, à qual cabe a tarefa de transmitir esta tradição ao longo do tempo, de preservá-la para as pessoas, ou seja, o que na tradição cristã se denomina Igreja.

Mas antes de passar a uma análise mais concreta dessas diferenças fundamentais e tentar chegar a uma compreensão do que é o Islã puro, primeiro gostaria de dizer que hoje é o segundo dia de jejum, que para todos os muçulmanos é uma festa de ascetismo, de disciplina espiritual, um tempo de mobilização das capacidades mentais e físicas para manter um estado de vigília vertical e realizar o predomínio da consciência espiritual sobre o plano físico. O tema que se formula hoje como título da conferência, «O Islã Ário», pode soar bastante provocador. Para a maioria dos muçulmanos, tem um certo sabor de provocação e, em todo caso, a algo não islâmico, já que o Islã se baseia fundamentalmente na ignorância sobre-humana das diferenças de raça, idioma e origem étnica.

09/05/2026

Collin Cleary - Conhecer os Deuses

 por Collin Cleary

(2011)



I


Um Falso Conhecimento


Existem hoje aqueles que desejam trazer a humanidade (ou uma parte da humanidade) de volta a uma fé mais antiga, pré-cristã. Quase todos esses radicais religiosos afirmam que os deuses existem, mas que os seres humanos de alguma forma se "fecharam" a eles. A explicação mais comum para este "fechamento" é o desenvolvimento da inteligência: o cérebro grande do homem o separou da experiência do divino. Esta explicação é perigosa, pois leva ao anti-intelectualismo (ver, por exemplo, as obras de Jack London, D. H. Lawrence, e outros). É uma teoria que catalogou erroneamente todo uso da razão como "racionalismo", e então postulou que o único remédio é o erro oposto polar, o irracionalismo.

Se perguntarmos aos partidários desta opinião em que consiste a abertura aos deuses, geralmente nos é respondido que significa abertura a certas "forças" naturais que são reconhecidas e percebidas intuitivamente pelos seres humanos na forma de "arquétipos". Encontramos algo semelhante a esta ideia, por exemplo, em Julius Evola:

28/04/2026

Collin Cleary - O Homem Ausente na Cosmogonia Nórdica

 por Collin Cleary

(2011)




I


Introdução


Ao comparar um grande número de mitos indo-europeus, e usando indicações linguísticas, Bruce Lincoln reconstruiu o que ele acredita ser o mito de criação protoindo-europeu. Este envolve dois irmãos, um sendo um sacerdote chamado *Manu (Homem), o outro um rei chamado *Yemo (Gêmeo), que viajam juntos e acompanhados por um boi. Por alguma razão, eles decidem criar o mundo. Manu oferece Yemo e o boi em sacrifícios. Ele desmembra seus corpos e usa os pedaços para criar as diferentes partes do cosmos[1].

A cosmogonia nórdica expressa este protomito de maneiras evidentes. Yemo, claro, é Ymir. O boi torna-se Audumbla, a vaca cósmica. É o corpo de Ymir que fornece as partes do mundo. Mas um elemento importante está manifestamente ausente da versão nórdica. Onde está Manu, o sacerdote e irmão de Ymir? Afirmo que Manu pode ser encontrado, grandemente transformado, na versão nórdica.